domingo, 14 de fevereiro de 2016

Pode me chamar de gorda, esse adjetivo não me desqualifica, ser gordo não é um defeito, nem uma qualidade, ser gordo é meu jeito, minha forma, meu traço, meu compasso...

Ser gordo é ser tachado de preguiçoso, mesmo trabalhando 8 horas por dias, ser dona de casa, ser mãe, ser pai, ser irmã, ser mulher e tantas e por muitas vezes psicóloga.

Além de tudo isso ter que enfrentar a vida, ser apontada na rua, vista como doente em fase terminal, ignorada em lojas, explorada em lojas especializadas, se uma companhia indesejada no assento no ônibus e ser fragmentada e hostilizada por uma sociedade que tanto me exclui.

Quando eu resolvi me livrar dessas amarras, me empoderar do meu corpo gordo, me livrar dos conceitos e preconceitos que me foram impostos, pude superar todos os "nãos" que a vida me deu, assumir meu corpo, foi o passo mais difícil dessa caminhada.
Ser gorda é ser subjulgada e mesmo assim ter o otimismo de achar que nada é tão ruim que não possa melhorar.

Ser gorda é ver a beleza delineada em cada curva do corpo, desenhada em cada dobrinha, ressaltada pela grandiosa diversidade que o corpo gordo pode nos dá.

Ser gorda é ter um coração apaixonado, lotado de desejos, cheinho de amor, repleto de loucura, sedento, sede de tudo. Revestido de auto estima, protegido pelo amor próprio, fortalecido pela coragem de se jogar de cabeça em emoções fortes, em relações ardentes.

Ama e cuida do seu corpo, viva e aceite sua história, se olhe e enxergue suas perfeições, sua beleza. Sonhe e creia que podemos ser tudo o que quisermos, acorde e conquiste o seu espaço no mundo, se liberte dessa prisão que o preconceito nos impôs, recolha todas as pedras do caminho e construa a sua fortaleza, lá nenhum mal pode te alcançar.

Janaína Vieira




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