Me privei de muitas coisas, por que eu não cabia, era feia e nunca arranjaria ninguém por ser gorda.
A crueldade de quem nos impõe viver limitado, inferiorizado e destinado a solidão me atormentaram durante muito tempo.
Vestir uma roupa que não dá, me olhar no espelho e se amada eram coisas das quais eu não esperava ter na vida.
Marcada, fragmentada...
Marcas que nunca somem, cicatrizes que nunca saram, o tempo e a vida me levaram a caminhos bem diferentes, caminhos tortuosos, beirando o abismo e no fundo do poço em banhada pelo preconceito, me encontrei. Nesse encontro, pude me livrar de todos os estigmas e o que me salvou foi o amor próprio.
Depois disso pude perceber que em cada um de nós existe uma força tamanha capaz de transformar as adversidades em degraus e a cada degrau existem possibilidades. Mas é preciso ser agente da mudança que precisamos.
Não aceitar passivamente os nãos que a vida nos dá, não permitir que entrem nas nossas vidas e nos desestabilizem e não aceitar que digam que não cabemos.
Aceitar o preconceito, seja ele de qual for a natureza é permitir que nossos algozes permaneçam disseminando a maldade.
Seremos testados o tempo todo, mas qual é o limite desses ataques? Qual é o tamanho da sua fragilidade? Esses ataques nos ferem a alma e só quem é gordo sabe e compreendem cada palavra escrita aqui. Chega um momento que precisamos reagir, deixar de ser vitimas e começar a ser autor de uma nossa história.
Se te disserem que você não cabe, mostre que o que não cabe é o ódio, o que não cabe é a maldade, o que não cabe é o preconceito.
Juntos somos mais fortes e a única coisa que nos cabe é a liberdade de ser quem somos, cheinhos de amor e de da certeza que podemos ser tudo que quisermos ser.
Janaína Vieira

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